5 lições do curso Cognição e Comportamento de Psitacídeos (Com uma surpresa, no final)

5 lições do curso Cognição e Comportamento de Psitacídeos (Com uma surpresa, no final)

Eu nunca esquecerei do dia 5 de dezembro de 2015. Para mim, foi emocionante ver o Espaço Dom Pedro lotado de pessoas que compartilham a nossa paixão e queriam aprender mais sobre Cognição e Comportamento de Psitacídeos. Sobretudo, foi um dia de aprendizados que serão sempre importantes na relação com minhas aves.

Platéia lotada no dia do curso

Espaço Dom Pedro lotado para acompanhar o curso (Foto: Plínio Lins)

O público, que reuniu profissionais e proprietários de pets de todo o Brasil, não arredou o pé até o final; participou ativamente das sessões de perguntas e debates e contribuiu para tornar o evento ainda mais rico e valioso para todos os participantes.

Isto sem falar na oportunidade de, finalmente, conhecer pessoalmente tantas pessoas que já haviam se tornado boas amigas pela Internet e pelas redes sociais.

Dra. Irene Pepperberg recebe o cheque da doação

Dra. Irene Pepperberg recebe o cheque da doação em nome da Alex Foundation (Foto: Plínio Lins).

Outra conquista a ser comemorada é que, somadas as contribuições de todos os participantes e apoiadores e deduzidas as despesas, foram arrecadados U$ 3.100,00 (equivalentes a R$ 12.166,67, na data da conversão) para a Alex Foundation. O mais legal é que graças a uma iniciativa chamada Sterner Match Chalenge, a Alex Foundation receberá mais U$ 3.029,00 da família Sterner. Ou seja, a Alex Foundation receberá um total de U$ 6.058,00 em doações.

O mais importante de tudo é que saímos de lá com muitas ideias novas e provocações para refletir. Neste post, falo de algumas questões sobre as quais tenho refletido nos últimos dias, aquelas que, para mim, seriam as cinco lições mais importantes do curso.

Se você esteve lá, é provável que tenha uma visão diferente da minha e está desde já convidado a dividir suas impressões e seu aprendizado conosco. No final deste post, tem uma surpresa para você!

1. Papagaios são extremamente inteligentes e ainda há muito a descobrir sobre sua inteligência

Que a pesquisa da Dra. Irene Pepperberg revolucionou a ciência a gente já sabia. Que os papagaios são muito inteligentes, também. Mesmo assim foi impossível conter a surpresa e a admiração a cada novo experimento que a pesquisadora descreveu em sua palestra.

Está claro e comprovado que os papagaios são capazes de resolver problemas complexos e de usar elementos de linguagem humana para se comunicar conosco, se estimulados adequadamente. A pesquisa da Dra. Irene continua a explorar os limites da inteligência dos psitacídeos, com resultados sempre impressionantes, e, ao que tudo indica, estamos longe de encontrar o fim da linha.

A cada novo desafio proposto, a cada nova habilidade investigada, os papagaios se superam e mostram uma surpreendente capacidade de aprender.

Foi fascinante e encantador, por exemplo, ver lado a lado os vídeos do experimento do marshmallow (de recompensa retardada) aplicado ao Grifiin e às crianças humanas, mostrando inclusive a utilização dos artifícios para conseguir resistir à tentação.

Com base nos resultados obtidos até agora, já é possível concluir que “os papagaios cinzas mostram habilidades cognitivas de uma criança de cerca de 5 anos, com as habilidades comunicativas de uma criança de 1,5/2 anos”.

Ter as habilidades comunicativas de uma criança desta idade é sem dúvida impressionante. Mas isto nos mostra também que as aves compreendem muito mais do que são capazes de verbalizar, tornando ainda mais importante prestar atenção nas demais formas de comunicação – conhecer a linguagem corporal, por exemplo – para compreender melhor as mensagens que eles nos mandam e perceber quando eles desejam alguma coisa ou algo não vai bem.

2. Reconhecer a inteligência dos psitacídeos é essencial para proporcionar-lhes maior bem-estar

Imagine seu filho de 5 anos, o dia todo sem nenhuma companhia e sem nada para fazer. Quanto tempo você acha que ele demoraria para enlouquecer?

Não é à toa que muitos papagaios em cativeiro desenvolvem problemas de comportamento (excesso de gritos, arrancamento de penas, agressividade etc).

Sendo extremamente inteligentes, estes animais são facilmente tomados pelo tédio se não tiverem os estímulos adequados e atividades que estimulem sua inteligência. Isto significa que devem ter à disposição brinquedos de vários tipos, oportunidades de forrageio e de atividade física, além de interações de qualidade com seus companheiros humanos.

Sendo aves gregárias e extremamente sociais, é essencial também que possam fazer parte de um grupo social (que pode incluir as próprias pessoas da família, outras aves e até mesmo outros animais) e tenham a companhia dos membros deste grupo a maior parte do tempo.

3. Papagaios aprendem no contexto social

Uma das marcas da pesquisa da Dra. Irene Pepperberg é o emprego do método modelo-rival de treinamento. Uma técnica originalmente desenvolvida pelo cientista alemão Dr. Dietmar Todt., à qual ela introduziu algumas modificações, como a alternância de papéis entre os treinadores, por exemplo.

Esta técnica é aplicada por dois treinadores. Na presença do animal a ser treinado, um deles pede uma determinada tarefa ao outro, que, ao acertar, recebe a recompensa. Após algumas rodadas, o animal percebe as regras do jogo e começa a participar, exibindo o comportamento desejado.

Quem esteve no curso, pode assistir a uma demonstração ao vivo da técnica modelo-rival de treinamento com uma adorável fêmea de papagaio cinza (Timneh) de poucos meses de vida, com a participação da especialista em comportamento animal Paloma Bosso.

Dra. Irene Pepperberg e Paloma Bosso demonstram a técnica modelo-rival

Dra. Irene Pepperberg e Paloma Bosso demonstram a técnica modelo-rival

A Dra. Irene mostrou alguns objetos (uma corda, um pedaço de papel e um toco de madeira) para a jovem ave repetindo várias vezes o nome para que ela percebesse o som do rótulo. Logo após, perguntou para a Paloma o nome e, diante do acerto, entregou a corda para que ela interagisse.

Surpreendentemente, após poucas repetições o jovem papagaio já estava se esforçando para participar do jogo, esboçando suas primeiras sílabas.

A obtenção destes resultados em tão pouco tempo mostra quanto o contexto social contribui para o aprendizado das aves. Elas querem fazer parte do grupo e, para isto, observam e reproduzem o comportamento dos demais membros como forma de serem aceitas.

Saber disto nos ajuda a compreender melhor como integrar nossas aves no nosso contexto social e de que forma isto poderá influenciar o comportamento futuro de nossas aves.

4. Como construir uma relação de respeito e enxergar o mundo aos olhos das nossas aves.

Para mim, uma das maiores contribuições do Dr. Jan Hooimeijer e uma das coisas mais interessantes do curso foi compreender e refletir sobre como, aos olhos da nossas aves, nosso amor pode ser extremamente opressor.

Psitacídeos na natureza desempenham o papel de presa e estão programados para identificar seus predadores. Os principais predadores, as aves de rapina têm visão binocular, ou seja, os dois olhos situam-se na frente da cabeça, exatamente como os nossos.

Quando alguém encara a ave, aos seus olhos, pode parecer muito com um predador: a pessoa diz “Eu te amo!”, mas a ave pode estar entendendo “Vou te comer!”

A verdade é que muitas das coisas que fazemos com nossas aves poderiam ser intimidantes até mesmo para um outro ser humano! Imagine a situação: um desconhecido te aborda na rua, olha bem nos seus olhos e começa a elogiar a sua beleza, os seus sapatos, o quanto seus dentes são brancos. As palavras podem até parecer gentis, mas a situação seria muito assustadora!

E não é exatamente o que as pessoas fazem assim que entram na sua casa e se deparam com o seu papagaio? Não é isso que a gente faz, sem nem se dar conta, quando entra em uma loja de aves?

A observação das aves na natureza também nos dá pistas importantes de como se comportar e interagir melhor com elas. Entre humanos temos o hábito de nos posicionar frente a frente para socializar, como em um restaurante, por exemplo. As aves, ao contrário posicionam-se lado a lado, olhando com apenas um dos olhos.

Quando você se aproxima de uma ave de frente ou pelas costas, a ave pode se sentir acuada e insegura. O ideal, portanto é se aproximar pelos lados ou em diagonal, mostrando para a ave que não somos um perigo e dando-lhe segurança.

Saber destas coisas, faz a gente prestar atenção no modo como nos comportamos diante dos nossos bichos. Tenho tentado incorporar algumas destas dicas no meu dia-a-dia e, fazendo isto, tenho notado uma enorme diferença nas respostas das minhas, especialmente com a Lorenza, que é mais insegura.

5. Treinar truques pode ser um momento de interação de qualidade com as nossas aves

Um dos dilemas que donos de aves encontram é o de saber o que fazer com suas aves nos momentos compartilhados.

A gente quer passar tempo com eles, mas não sabe muito o que fazer. A ave acaba ficando entediada e querendo fazer um monte de coisas que não deve. É um tal de comer os botões da camisa, subir na cabeça, roer os móveis, voar no lustre… A gente acaba se irritando e o momento que era pra ser de prazer para todo mundo, acaba ficando estressante.

Ocupar este tempo para fazer carinho, nem sempre é uma opção. Muitas aves, por exemplo, não aceitam ou se interessam por carinho. Mesmo quando aceitam, nossos carinhos emulam um comportamento natural dos psitacídeos conhecido como alisamento mútuo (alopreening), um comportamento muito complexo que pode acabar sendo mal interpretado pela ave. Carinhos nos lugares errados podem ser entendidos pela ave como intensão de formal casal, desencadeando comportamentos indesejáveis, frustração até mesmo a produção hormônios reprodutivos.

Treinar truques pode se tornar uma forma produtiva e divertida de ocupar este tempo comum. Não se trata de treinar um papagaio de circo, mas sim de utilizar atividades divertidas para passar tempo junto. Usando exclusivamente técnicas de reforço positivo, como aquelas ensinadas pelo Leo Ogata, o momento do treino pode ser estimulante e positivo para todo mundo.

O Treinamento dá à ave a oportunidade de “trabalhar” por petiscos e isto aumenta muito o bem-estar dela. Na natureza, psitacídeos passam boa parte do dia procurando comida, enquanto em cativeiro a comida está sempre disponível.

Para fazer os truques, a ave também precisa entender o que você deseja dela e isto acaba favorecendo o desenvolvimento da comunicação e da confiança.

Os treinos também podem servir para ensinar comportamentos úteis no dia-a-dia (como voltar para a gaiola, aparar as unhas, subir na balança etc) e até mesmo para ajudar a exercitar a ave, como nos treinos de vôo, por exemplo.

Agora é sua vez

Se você também participou do curso, gostaria de pedir sua ajuda para espalhar o conhecimento que recebemos no curso.

Nós, que tivemos uma oportunidade tão grande de aprender e receber um conteúdo tão valioso, temos a missão de ajudar a espalhar a informação, para o máximo de pessoas, ajudando a melhorar o bem-estar de outros animais e atingindo também quem não pode estar lá.

Por isso, quero que você grave um pequeno vídeo contando as 5 lições que você tirou do o curso Cognição e Comportamento de Psitacídeos e como isto irá transformar sua forma de conviver com os animais. É simples, você pode gravar agora mesmo com seu celular e postar no Facebbok, no Twitter ou no YouTube.

Depois basta postar o link aqui embaixo nos comentários ou na nossa página do Facebook, que a gente compartilha aqui neste post!

E tem mais! A Toca do Furão gostou tanto da ideia, que vai sortear um brinquedo – à escolha do vencedor – entre todos aqueles que participarem  e mandarem o seu vídeo até o dia 23 de dezembro de 2015! Além de ajudar a espalhar o conhecimento adquirido no curso, você pode ganhar um prêmio super legal!

As 5 lições de cada participante

Dra. Elisa Tibério

Posted by Loucos por pássaros on Domingo, 20 de dezembro de 2015

Roberta Pedron

Posted by Roberta Pedron on Domingo, 20 de dezembro de 2015
  • adestra

    Existe muita gente que compra filhotes nas estradas sem saber que, para que eles sejam vendidos assim, sua família provavelmente foi morta. É um crime e as pessoas estão colaborando ao aceitar essa situação.

    Adestramento de Cães

    http://www.adestramento-para-caes.com

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