A importância do voo para psitacídeos de estimação

A importância do voo para psitacídeos de estimação

Muitas vezes, a escolha entre cortar as asas ou não baseia-se no que imaginamos ser mais seguro para a ave. Nós amamos nossos papagaios, calopsitas, araras e congêneres, eles são parte importantíssima da nossa família e das nossas vidas, não queremos nem pensar em perde-los.

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Mesmo porque, aves perdidas correm inúmeros riscos: podem não conseguir alimentos, podem ser capturadas por predadores, podem ir parar nas mão de pessoas mal intencionadas ou que não saibam dar a elas o que precisam, etc.

Poucas vezes, no entanto, pensamos no que a ave perde por não voar. De fato, a possibilidade de voar é muito importante para o bem-estar, para a saúde, para o comportamento e, em alguns casos, pode até aumentar a segurança da ave.

A capacidade que nossos psitacídeos têm de voar é resultado de milhões de anos de evolução, em que as aves passaram por muitas mudanças adaptativas para voar. Entre as mais radicais, estão o aumento dos músculos peitorais e uma mudança no esqueleto para acomodá-los, além do desenvolvimento de um sistema de polias único que permite ao músculo embaixo da asa levantá-la.

Não é só isso. Tudo em seu corpo e em seu cérebro foi cuidadosamente moldado para as necessidades de um ser que voa:

  • o equilíbrio perfeito entre a força e a leveza;
  • as penas – de diversos tipos, milimétricamente posicionadas ao longo do corpo e das asas;
  • o sistema cardiovascular, sempre pronto para fazer o sangue circular nos músculos e no cérebro a mais de 300 batidas por minuto;
  • a alta temperatura corporal para permitir o mais rápido processamento da comida em energia;
  • o sistema respiratório capaz de entregar oxigênio mais rápido para os músculos de voo;
  • o papo, a moela e o sistema digestivo otimizados para armazenar comida e prover energia.
  • São todas características exclusivas das aves. Características que não se encontram em nenhum animal terrestre.

Será mesmo que um organismo inteiramente concebido para o voo pode ser privado deste comportamento sem nenhum prejuízo? Pode uma ave ser verdadeiramente saudável física e mentalmente sem voar?

A importância do voo para a saúde dos papagaios de estimação

Todos nós sabemos a importância do exercício para a saúde de qualquer ser vivo e não existe exercício mais completo e intenso para uma ave do que o voo. Um papagaio que que voa por apenas alguns minutos se exercita muitas vezes mais do que uma ave de asas cortadas se exercita o dia todo.

Os músculos empregados no voo são tão fortes, que ocupam 1/3 ou mais de todo o peso corporal.

A pratica do voo melhora o condicionamento físico geral da ave; fortalece a densidade dos ossos; e melhora o funcionamento do sistema cardiovascular e absorção de nutrientes. Estes benefícios associados a uma dieta adequada, rica, variada podem certamente aumentar muito a longevidade de nossas aves de estimação.

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Algumas pessoas argumentam que, na natureza, algumas espécies de psitacídeos voam dezenas de quilômetros por dia e que jamais seria possível reproduzir esta condição em ambientes domésticos. Sendo assim, a possibilidade de voar dentro de casa não faria diferença para a saúde das aves domésticas.

É verdade que o condicionamento das nossas aves de estimação dificilmente será igual ao das aves em liberdade, mas o impacto do voo por menor que seja a distância percorrida está longe de ser irrelevante.

Há seres humanos que correm ultramaratonas, também. Isto não quer dizer que se você não for um ultramaratonista, qualquer exercício será inócuo. Entre a ultramaratona e o dia todo no sofá da sala, há um mundo de possibilidades. Uma volta no quarteirão todos os dias pode ter efeito positivo, correr 5 km mais ainda e assim por diante.

O voo é um exercício de altíssima intensidade. Mesmo por apenas alguns minutos por dia pode ter enorme impacto positivo.

A importância do voo para o desenvolvimento mental dos papagaios de estimação

Recentemente, as redes sociais ferveram com a notícia de que correr aumenta o número de neurônios e nos deixa mais inteligentes.

Quando corremos, nadamos ou jogamos uma partida de futebol, nosso metabolismo e toda a química de nosso corpo se altera em poucos segundos. Quase todos os nossos sentidos – visão, audição, tato e olfato –  são mais exigidos e se integram  de maneira coordenada em decisões super rápidas, que nos mantém em movimento e longe de obstáculos e perigos. Nosso sistema nervoso é exigido em todo o seu potencial. É evidente que nosso cérebro é muito mais exigido do que quando estamos parados ou nos movendo devagar.

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Com nossas aves não é diferente. O voo utiliza o máximo da capacidade física e mental das aves.  É por isto que uma ave que voa não só fica mais saudável fisicamente, como aumenta sua capacidade de foco e atenção, aprende mais rápido e, portanto, é mais fácil de treinar. O completo desenvolvimento das habilidades relacionadas ao voo melhoram a coordenação motora e a visão.

O voo é um comportamento tão enraizado na essência de uma ave que, no primeiro sinal de perigo, ela normalmente decola em um voo defensivo. Durante cada um das centenas de voo curtos defensivos que uma ave dá na natureza, ela estará identificando perigos  potenciais, obstáculos, condições de tempo (principalmente, o vento) e decidindo se eles devem continuar voando para evitar um perigo real. Estes voos exigem habilidades instantâneas para identificar riscos e tomar decisões rápidas.

A importância do voo para o comportamento dos papagaios de estimação

O que a maioria das pessoas não imagina é o impacto do voo sobre os problemas de comportamento mais comuns.

Como sabemos, psitacídeos são presas na cadeia alimentar e isto afeta diretamente o seu comportamento. Todos os neurônios do seu corpo estão programados para identificar rapidamente potenciais riscos e reagir imediatamente. Na natureza, isto acontece dezenas de vezes por dia, mas raramente estas são experiências estressantes ou aterrorizantes. Na maioria das vezes, este voo vai durar tempo suficiente para perceber que não havia nenhum risco ou voar para um lugar seguro.

Por outro lado, eles ficariam realmente muito assustados, se não tivessem como evitar situações ameaçadoras imediatamente.

Mesmo em cativeiro, os papagaios permanecem em estado de alerta permanente e a impossibilidade de reagir imediatamente a uma ameaça percebida pode ser realmente muito estressante.

Uma ave que voa tende a ser mais confiante, independente e segura pois ela sabe que nestas situações poderá voar para se defender. Por outro lado, a ave que não voa acaba ficando mais insegura e estressada. É como se ela vivesse em uma situação de constante emboscada.

Com as asas cortadas, sobra pouca mobilidade para as aves e frequentemente elas se veem obrigadas a sujeitar-se a uma situação ou interação indesejada ou lutar. Sem poder voar, resta usar o bico para se livrar da ameaça.

Às vezes nós não nos damos conta, mas mesmo sem querer nossas atitudes podem ser extremamente ameaçadoras para a nossa ave. A gente só queria fazer carinho, mas a ave não percebe desta forma. Se ela puder voar, ela facilmente sai da situação indesejada, vai pro seu ombro, pra um poleiro ou qualquer outro lugar. Com as asas cortadas, você acaba tomando uma mordida e não entende porque.

Com a mobilidade reduzida, a ave depende de você para tudo. E, como expliquei no post de ontem, também acaba tendo que gritar todas as vezes que quer alguma coisa ou ir a algum lugar. Se você não atende, ela grita mais alto até que você entenda o que ela quer. Com o tempo, o barulho pode acabar se tornando um problema insuportável para você ou seus vizinhos.

O voo também pode funcionar como uma excelente prevenção contra o arrancamento de penas, já que uma ave que voa tem muito mais oportunidades de exercitar o corpo e a mente, uma vida mais rica e correm menos risco de cair no tédio.

A ave que voa tem muito mais oportunidades de interação de qualidade com os donos, abre-se a oportunidade de uma infinidade de novas brincadeiras, treinamentos e exercícios. É uma rotina muito mais rica do que somente fazer companhia enquanto a gente assiste TV. Mais desafios para a inteligência e novas experiências de vida quase sempre se revertem em mais bem-estar.

Quando se tem mais de uma ave, a rotina do “bando” também é diferente se eles voam. Eles podem escolher se, quando e com quem querem brincar e passar tempo junto. Novas amizades e rivalidades podem surgir.

A importância do voo para a segurança dos papagaios de estimação

Não. Você não leu errado. Eu também não estou maluco. Voar realmente pode ser mais seguro para sua ave, desde que você consiga ajuda-la a controlar bem o voo e ela conheça bem a região onde vive.

Psitacídeos, na natureza voam longas distâncias e frequentemente voltam para dormir nos mesmos lugares. Ou voltam todos os anos em determinados pontos onde sabem que encontrarão comida ou ninhos para reproduzir. Isto quer dizer que estes animais têm uma extraordinária capacidade de navegação e localização.

Aves que voam bem, navegam bem e voam para você sob comando tem chances menores de se perderem. Mesmo que você somente leve suas aves para passear de coleira, por exemplo, elas são capazes de reconhecer a região onde vivem. Isto pode ajuda-las a achar o caminho de casa se perdidas.

Isto não quer dizer que você deve sair por aí praticando voo livre sem a devida instrução e acompanhamento profissional. Ainda vamos falar sobre isto na sexta-feira. O que estou dizendo é que saber voar bem pode ajudar a salvar a vida da sua ave caso algum acidente aconteça.

Se você se interessou por este assunto, recomendo assistir este debate (em espanhol) onde você irá encontrar mais informações.

Um papagaio que voa é muito mais divertido

Falamos sobre como o voo é importante para saúde física e mental, para o comportamento e para a segurança das aves, mas eu não poderia terminar este artigo sem dizer o quanto é divertido viver com uma ave que voa.

Não há como descrever a sensação de chegar em casa cansado de um longo dia de trabalho, abrir a porta e ser recebido por uma bola de penas amarelas voando em sua direção. Você não precisa de mais nada para esquecer qualquer problema que tenha trazido da rua.

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“Por que você demorou tanto?”

Mas viver com uma ave que voa não é só isso. É ter uma ave muito mais segura e independente, que pode voltar para a gaiola, se quiser, para comer e beber água ou fazer suas necessidades; uma ave mais ativa que brinca e voa de um lado para o outro. Acima de tudo, é experimentar intensamente uma relação de plena confiança com um animal de estimação e ter a certeza de que ele sempre está com você porque quer e porque gosta.

Amanhã falaremos sobre os riscos e desafios de ter uma ave que voa sobre como se preparar para enfrentá-los.

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