Alex e nós. Como a pesquisa da Dra. Irene Pepperberg pode nos ajudar a aumentar o bem-estar de nossas aves.

Alex e nós. Como a pesquisa da Dra. Irene Pepperberg pode nos ajudar a aumentar o bem-estar de nossas aves.

Irene Pepperberg is the author of a new study that shows parrots understand the concept of sharing. She is pictured with an African Grey Parrot Griffin in William James Hall at Harvard University. Stephanie Mitchell/Harvard Staff Photographer

Stephanie Mitchell/Harvard Staff Photographer

Há pouco mais de 30 anos, a ciência estava certa de que não se podia falar em inteligência animal. Os resultados de alguns poucos experimentos realizados com chimpanzés e cetáceos eram vistos com muito ceticismo.

Foi neste cenário que a Dra. Irene Pepperberg resolveu que ensinaria um papagaio cinza a falar para que ela pudesse testar sua capacidade de resolver problemas e responder perguntas. Suas pesquisas comprovaram que a inteligência dos psitacídeos vai muito além do que se podia imaginar.

Quando morreu precocemente aos 31 anos de idade, em 2007, Alex conhecia o nome de mais de 100 objetos, ações e cores; podia identificar o material de que eram feitos os objetos; contava objetos em conjuntos de até 6 elementos e estava aprendendo os números 7 e o 8.

Alex exibia habilidades matemáticas consideradas avançados para a inteligência animal, tendo desenvolvido o conceito de zero, além de ser capaz de inferir a conexão entre os numerais escritos e a vocalização do número. Além disto, estava aprendendo a ler os sons de várias letras e tinha o conceito de fonemas e de como estes sons formam palavras.

Estes 30 anos de pesquisa e amizade são o tema do livro “Alex e eu”, no qual, em tom autobiográfico e confessional, a autora conta sobre sua relação com as aves na solitária infância; o amor pelos estudos; a ousadia de trocar uma promissora carreira acadêmica no campo da química por uma pesquisa que todos consideravam pura insanidade; a dificuldade de ser levada a sério e obter fundos para sua pesquisa; e, principalmente, a trajetória de Alex rumo à revolução da ciência.

Apesar do seu esforço para não perder a imparcialidade e objetividade que todo cientista deve ter, a Dra. Irene não consegue esconder o enorme amor que nutria por aquele que ela chama, seu querido colega de trabalho. É tocante e ajuda a explicar a enorme comoção que tomou o mundo quando Alex morreu.

Mas “Alex e eu” não é apenas o relato de uma linda e emocionante história ou o registro de uma pesquisa que revolucionou o que sabíamos sobre a cognição e inteligência dos animais. Também não se resume à possibilidade de mostrar para nossos amigos mais céticos que estamos certos sobre a inteligência de nossas aves.

“Alex e eu” é tudo isto, mas nós, loucos por pássaros, podemos tirar de “Alex e eu” uma série de lições sobre nossas aves e sobre o que é necessário para aumentar seu bem-estar.

1. Psitacídeos necessitam de estímulos intelectuais constantes

Todos nós que temos o privilégio de dividir nossas vidas com psitacídeos temos provas diárias de quão inteligentes, curiosos, ativos são estes animais. Seus cérebros são máquinas programadas para resolver problemas complexos, interagir socialmente, manter a coesão do bando.

Eles têm uma fome de aprender que deve ser constantemente alimentada. A falta de estímulos suficientes e adequados pode facilmente se reverter em problemas de comportamento como automutilação e agressividade.

A própria Dra. Irene fala sobre isto em seu livro, comparando à reação de uma criança que fosse deixada o dia todo em um playground sem qualquer companhia ou outro estímulo: “É claro que ele estaria triste e com raiva quando você chegasse em casa. É o mesmo com psitacídeos.

No período em que esteve no Media Lab do MIT, inclusive, ela trabalhou no projeto de um equipamento batizado de InterPet Explorer, que permitia ao animal escolher entre 4 modos usando um joystick: fotos, música, jogos e vídeo. Cada um dos modos continha 4 escolhas. E música, por exemplo, havia clipes de música clássica, rock, jazz e country. A ideia era de que este dispositivo ajudasse as aves a se entreter sozinhas. A própria possibilidade de escolher aumenta o bem-estar.

Seria muito legal se este projeto tivesse evoluído e chegado às prateleiras das lojas. Ainda que infelizmente isto não tenha acontecido, podemos – e devemos – utilizar os brinquedos disponíveis no mercado e usar a criatividade para construir outros que estimulem e desafiem o intelecto de nossas aves, mantendo-as sempre entretidas.

2. Papagaios aprendem em um contexto social

Desde o início de sua pesquisa, Pepperberg abandonou métodos tradicionais de treinamento que prevaleciam a época, como o controle de peso e técnicas de condicionamento operante.

Conforme ela explica, “a comunicação é um processo social e aprender a se comunicar também.” Foi por isto que ela optou por utilizar uma versão adaptada da técnica modelo-rival, inicialmente desenvolvida pelo etologista alemão Dietmar Todt.

Este método de treinamento tem três pilares:

  • referência – cada rótulo, ou som, corresponde a um significado; –
  • funcionalidade – como cada palavra é usada, ou seja, a razão para aprender esta palavra; e, o mais importante,
  • interação social – o desenvolvimento de um relacionamento entre os treinadores e o sujeito treinado.

Segundo ela, “quanto mais forte a relação, mais eficiente o aprendizado”. Comparando com crianças humanas, ela relata que sempre pedia para os treinadores mostrarem entusiasmo e enfatizar os rótulos que pretendiam ensinar, assim como adultos costumam fazer com crianças.

3. Papagaios podem utilizar a fala para expressar suas vontades e necessidades

Já tivemos oportunidade de discutir isto neste post. Papagaios podem, sim, desenvolver a habilidade de se comunicar através do nosso vocabulário.

De fato, após pouco tempo de treinamento, Alex já era capaz de utilizar os conceitos aprendidos para se comunicar e expressar suas vontades.

Há vários vídeos disponíveis na Internet  em que é possível observá-lo pedindo para interromper os treinos (“I wanna go back”) ou escolhendo a recompensa (“I wanna a nut”).

No vídeo abaixo (a partir de 1:50), é possível vê-lo pedindo milho verde e, até mesmo, reclamando que estava gelado!

4. Curso Cognição e Comportamento

Estes são apenas alguns dos exemplos de como a pesquisa da Dra. Irene Pepperberg pode mudar o nosso dia-a-dia. Muito mais poderia ser dito, mas eu não vou me alongar neste post porque quem vai nos falar mais sobre isto ao vivo, pela primeira vez no Brasil é a própria pesquisadora, no curso Cognição e Comportamento de Psitacídeos.

Você pode ver a programação completa do curso – que contará ainda com o médico veterinário holandês Jan Hooimejer e do especialista em comportamento Leonardo Ogata – clicando aqui.

Inscreva-se agora mesmo e garanta sua vaga! Somente até 20 de novembro, você pode se inscrever com desconto no valor da contribuição! Aproveite!

Seu papagaio mais comportado e feliz! Inscreva-se!

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