Uma conversa necessária sobre o voo dos psitacídeos de estimação

Uma conversa necessária sobre o voo dos psitacídeos de estimação

Giallo decolaJá disse em várias oportunidades que sou favorável a manter nossas aves de estimação voando.
Inclusive, já falamos um pouco a respeito ao responder a pergunta da Anna, no Perguntas dos Leitores #2. No entanto, o voo é um tema que levanta muitas questões e já faz algum tempo que eu queria escrever um post mais aprofundado sobre este assunto.

Pelo que observo, ainda são muito poucas as pessoas que mantém voando seus papagaios, araras, calopsitas, periquitos e outros psitacídeos de estimação aqui no Brasil. Prevalece ainda a noção de que o corte de asas é o melhor e mais seguro para as aves. Apesar disto, tenho notado um número cada vez maior de pessoas que optam por (ou, pelo menos, têm vontade) manter suas aves voando. Temos um grupo no Facebook que já conta com mais de 300 membros.

Estas pessoas acabam tendo muita dificuldade para encontrar informações que lhes permitam decidir conscientemente e, principalmente, promover a segurança, bem-estar e bom comportamento de um animal que voa.

Dúvidas e medos de quem decide não cortar as asas

Sem muita informação e sem conhecer outras pessoas que também tenham papagaios que voam para trocar experiências, a decisão solitária de quem decide não cortar as asas acaba sendo marcada por muitas dúvidas e medos:

  • “E se ele fugir?”
  • “E se ele se machucar?”
  • “E se ele não quiser mais me obedecer?”

Eu passei por isto e sei quanto é difícil, ainda mais quando você ainda não sabe muito bem como as coisas funcionam. Quando trouxe a Lorenza para casa, nem imaginava que esta era uma coisa que eu precisaria decidir. Na minha cabeça, estava comprando um passarinho – passarinhos voam!

Foi apenas alguns dias depois, na primeira consulta com o veterinário, que esta questão apareceu. O médico perguntou se eu queria que ele cortasse as asas dela e, lembro que, logo de cara, a pergunta me causou estranheza.

Perguntei se era mesmo necessário e ele explicou que a escolha era minha, mas ponderou que era importante para a segurança da ave, para evitar acidentes, que ela poderia bater nas paredes e janelas, que com as asas cortadas ficaria mais dependente de mim e tenderia a ser mais obediente. Eu já havia passado alguns dias com ela voando e aquele não parecia um risco tão grande assim. Disse que não queria que cortasse, mesmo sem ter muita certeza do que estava fazendo e morrendo de medo de a minha decisão resultar em algum mal para ela.

Ao examiná-la, ele acabou descobrindo que uma das asas já tinha sido cortada. De fato, eu já tinha notado que ela fazia curvas estranhas. Tentava voar em direção à porta e acabava indo parar em cima da cortina. O corte unilateral faz com que a ave perca o controle da direção. Na ânsia de corrigir o curso, ela acabava batendo as asas mais forte e subindo. Cortar a outra asa pareceu a melhor coisa a fazer e assim fizemos.

Arara voando

Foto: Eva Lamas Porto

Mesmo com as asas cortadas, a Lorenza sempre voou bastante, ainda que tivesse dificuldade em voar para cima e fazer curvas mais fechadas.

Com o tempo, fui descobrindo fatos sobre o voo que reforçaram a minha convicção de que voar faz parte da natureza das aves, é importante para saúde e bem-estar dos animais, além de ser muito mais divertido. Conheci outras pessoas que também voam suas aves e até algumas que fazem isto ao ar livre! Aprendi a identificar os riscos, como evita-los e como aumentar a segurança das minhas aves; e também como estimulá-las a desenvolver melhor suas habilidades de voo.  Manter as aves voando é sim possível!

E é sobre estas coisas que quero conversar. Imagino, que compartilhar este conhecimento e as minhas experiências pessoais possa ajudar outras pessoas na mesma situação.

Alguns esclarecimentos necessários

Antes de seguir com esta prosa, sinto a necessidade de deixar alguns pontos bastante claros, pois sei que cortar ou não cortar as asas de psitacídeos de estimação é uma discussão que desperta paixões e não gostaria que ninguém se ofendesse ou que estes textos ensejassem debates raivosos e improdutivos.

  • A decisão sobre cortar ou não as asas da ave compete apenas ao próprio dono e, seja qual for a sua posição, não há motivos para condená-lo.
  • Reconheço que há argumentos e motivos válidos tanto para cortar quanto para não cortar. Novamente, esta é uma decisão que apenas o próprio dono da ave pode tomar, de acordo com suas condições e convicções.
  • Respeito a decisão de quem corta as asas de suas aves. Sei que o fazem porque se preocupam e entendem ser o melhor para sua segurança.
  • Contudo, fiel às minhas convicções e, até mesmo porque reconheço minha ignorância sobre os tópicos, não falarei sobre como cortar asas, nem sobre qual a melhor forma de fazê-lo. Meu conselho é que este serviço seja feito por um veterinário especializado em aves e que você discuta com ele as opções existentes.
  • Manter aves que voam implica riscos e responsabilidades (assim como com aves de asas cortadas). Se decidir não cortar as asas do seu animal de estimação, certifique-se de tomar todas as medidas necessárias para aumentar a sua segurança e bem-estar. É sua responsabilidade cuidar para que acidentes não aconteçam.

Que fique claro: esta não é uma conversa sobre cortar ou não cortar as asas. O nosso objetivo é dar elementos para que as pessoas que pensam em manter suas aves voando possam decidir melhor.

Mais do que convencer as pessoas que voar é melhor, eu gostaria que elas, ao menos, soubessem que existem alternativas e conhecessem as vantagens e desvantagens do voo, para decidir consciente e responsavelmente o que fazer com seus pets.

Sobre o que vamos falar

Foto: Chris Biro – www.libertywings.com

Pelo tamanho da introdução, você já deve ter imaginado que esta vai ser uma conversa demorada.  Este não é mesmo um tema fácil e trata-lo de forma superficial pode levar a erros que põem em risco a própria vida da ave.

Assim, para não cansar você e para ter a oportunidade de debatermos melhor cada um dos assuntos, dividi esta conversa em uma série de posts, que serão publicados diariamente, a partir de segunda-feira, 29 de fevereiro:

Se você não quer perder nenhum deles, clique aqui e cadastre-se na nossa lista, para ser avisado por e-mail.

Você também pode ajudar a deixar esta conversa ainda mais completa, enviando suas principais dúvidas sobre voo na área de comentários abaixo.

Até segunda!

  • Renato Calabresi

    Sei que existe uma janela de idade mais adequada para que a ave seja treinada, mas também já vi treinador profissional falando que é possível treinar uma ave já adulta que foi criada a mão. Gostaria de saber mais informações sobre essa questão da idade e do perfil da ave. Desde já agradeço.

    • Francisco

      Oi, Renato, esta janela existe, sim, mas tem um peso relativo no desenvolvimento das habilidades de vôo. O que acontece, é que nesta fase da vida deles, logo após a formação das penas de vôo, eles aprendem sozinhos, se expostos às condições ideais. Uma ave que aprenda a voar depois de adulta terá mais dificuldade e talvez já tenha alguns medos para superar. Vamos falar disto mais detalhadamente no artigo da quinta-feira.

    • Francisco

      Oi, Renato, a janela existe, sim, mas o seu peso é relativo no desenvolvimento das habilidades de voo.
      O que acontece é que nesta fase, que começa a partir do desenvolvimento das penas de voo, a ave acaba aprendendo naturalmente a voar, desde que presentes as condições ideais. Uma ave adulta acaba tendo mais dificuldade, além de possivelmente ter alguns medos para superar. Falaremos mais disto no texto da quinta-feira.

  • Liliane Pereira

    Ok! Elas poderão ser treinadas por pessoas competentes q não usarão de violência para fazê-las obedecer, e assim para q não fujam sem rumo, e acabem morrendo por diversas
    questões… Mas qto a predadores, com elas soltas, e aí esses partem para o ataque?

    • Francisco

      Liliane, o corte de asas e o voo livre são dois extremos desta questão. Entre elas, há uma infinidade de outras possibilidades. As aves podem exercitar o voo apenas em ambientes fechados, por exemplo.
      O risco dos predadores existe sempre que uma ave estiver em ambiente externo, tenha ela asas cortadas ou não. No voo livre, este é um dos riscos entre muitos outros, que precisam ser administrados, mas pode ser bastante mitigado. Por isto, se alguém pretende praticar voo livre, é muito importante procurar orientação de profissionais reconhecidos e experientes, como o Chris Biro.

    • Francisco

      Liliane, o corte de asas e o voo livre são dois extremos desta questão. Entre elas, há uma infinidade de outras possibilidades. As aves podem exercitar o voo apenas em ambientes fechados, por exemplo.

      O risco dos predadores existe sempre que uma ave estiver em ambiente externo, tenha ela asas cortadas ou não. No voo livre, este é um dos riscos entre muitos outros, que precisam ser administrados, mas pode ser bastante mitigado. Por isto, se alguém pretende praticar voo livre, é muito importante procurar orientação de profissionais reconhecidos e experientes, como o Chris Biro.

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