Como garantir a segurança de um psitacídeo que voa (ou não)

Como garantir a segurança de um psitacídeo que voa (ou não)

 

Ao longo desta conversa, tenho tentado contestar alguns paradigmas pró corte de asas e mostrar que manter nossos papagaios de estimação voando é possível e tem muitos benefícios para eles.

Isto não quer dizer que a gente possa descuidar da segurança deles. É verdade que não deveríamos descuidar, mesmo com as asas cortadas, como falamos aqui, mas há, sim alguns desafios extras quando se tem animais que voam.

Não é nada de extraordinário e com algum cuidado dá pra tirar de letra. Analisando as circunstâncias em que os acidentes acontecem, percebe-se que as aves não se perdem porque sabem voar. Elas se perdem porque falhamos em tomar as devidas precauções.

Assumir a responsabilidade pela segurança das nossas aves é a melhor forma de evitar acidentes.

Se minha ave voar corro o risco de perdê-la?

A maior preocupação, quando suas aves são capazes de voar é com a possibilidade de elas se perderem.

Notem que eu sempre falo em perda, não em fuga. O termo fuga implica que a ave queria ir embora e isto, na maioria absoluta dos casos, não é verdade. Se a ave tem em casa um ambiente seguro, onde é respeitada e bem tratada, não há nenhum motivo para ela querer fugir. O que acontece geralmente é que algum acidente acaba levando a ave para longe do dono ou de casa e ela se perde, pois não consegue voltar.

Este risco certamente existe, mesmo com as asas cortadas, mas há uma série de precauções que podem ser tomadas para evitar que isto aconteça.

Segurança em ambientes externos

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Boa parte dos acidentes ocorrem quando as aves são levadas a áreas externas, sem qualquer forma de restrição. Os passeios ao ar livre, certamente, são muito benéficos para o bem-estar do psitacídeos de estimação. São uma ótima oportunidade para tomar Sol, socializar, ver coisas novas e experimentar novas situações.

Mas devemos zelar, em primeiro lugar, pela sua segurança e, caso você não tenha uma ave muitíssimo bem treinada para o voo livre, o melhor é recorrer a um peitoral ou gaiola de passeio.

Para mim, a melhor forma é utilizar um peitoral. Com a Lorenza e o Giallo, eu utilizo o Aviator Harness. Na minha opinião é o melhor produto disponível no mercado. Para evitar acidentes, tomo sempre a precaução de prender a outra extremidade da coleira na minha calça, utilizando um mosquetão.

A desvantagem é que a ave precisa ser muito bem treinada para utilizá-lo – devagar e com muita paciência. Caso contrário, será muito difícil voltar a colocá-lo.

Se você não tem um peitoral, a melhor forma de levar sua ave para um passeio em segurança é utilizando uma gaiolinha de passeio. Neste caso, tome muito cuidado com fechos e portas. A gente sabe como papagaios são loucos para resolver um quebra-cabeças e muitos deles acabam conseguindo abrir as portas das gaiolas.

Segurança em ambientes internos

Se fora de casa os riscos de perda são maiores, dentro de casa que a gente acaba se descuidando e isto também gera muitos acidentes. Por isto, é importante preparar o ambiente para garantir a segurança da sua ave. De preferência, antes mesmo de elas chegarem.

Devemos tomar todo cuidado com portas e janelas para que nossas aves não acabem saindo sem querer.

Garantir a segurança deve ser um compromisso de todas as pessoas que moram e frequentam a casa. De nada adianta, por exemplo, telar as janelas e varandas, se as pessoas não tomarem cuidado ao abrir e fechar a porta.

Portas

O ideal é sempre ter duas portas entre o lugar onde a ave está e a saída para a rua, de uma forma que as duas portas nunca esteja abertas ao mesmo tempo. Isto evita que alguém abra a porta inadvertidamente enquanto a ave estiver solta e a ave acabe saindo para a rua.

Se não for possível, você pode tentar instalar uma cortina de tecido antes da porta ou entre a porta e a saída. Aquelas de cordinhas com tecidos não servem, pois aves menores podem passar por elas ou então pousar e acabar saindo.

Com ou sem uma porta dupla, o procedimento padrão deve ser que ninguém entra ou sai sem antes checar se as aves estão seguras.

Uma ideia é deixar a porta da rua sempre trancada e combinar de tocar sempre a campainha para entrar. Assim, quem estiver dentro de casa pode verificar se as aves não estão soltas antes de abrir a porta.

Em famílias com crianças pequenas, pode ser necessário, além de deixar as portas sempre fechadas, não dar a chave para as crianças se houver alguém em casa, evitando-se entradas inesperadas quando as aves estiverem soltas.

Janelas

Como as janelas contém um perigo adicional, pois, como são relativamente pequenas, se a ave sair pode ser mais difícil voltar pra dentro.

As janelas devem estar sempre fechadas, a menos que tenham telas, quando as aves estiverem soltas. O grande problema das janelas é que a gente acaba esquecendo de verificar se todas – isto inclui as janelas de outros cômodos – estão realmente fechadas todas as vezes que soltamos as aves.

Por isto, o ideal, realmente, é instalar redes em todas as janelas.

Outra boa idéia, se não houver como instalar redes, é utilizar cortinas e persianas que permitem a passagem do ar e do vento, mas não das aves. É importante certificar-se de que elas sejam suficientemente pesadas para não voar com o vento e lembrar de mantê-las sempre fechadas.

Instalação de redes

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O tipo de rede a ser instalado depende muito das espécies de psitacídeos que você tem – ou pretende ter – em casa. Você deve escolher o material mais resistente possível, certificando-se que os espaços entre as cordas são menores que as suas aves.

É importante também prestar atenção para que as redes sejam instaladas de forma a não deixar espaço suficiente para as aves saírem pelas extremidades.

Por mais resistente que seja a rede, não se deve permitir que as aves fiquem empoleiradas ou brinquem com elas. Basta uma fibra rompida para que a ave acabe saindo e se perca.

Supervisione sempre. Principalmente, se a única proteção entre a ave e a rua for a rede.

Janelas que não podem ser teladas

É possível que algumas janelas não possam ser teladas, especialmente as basculantes instaladas em cozinhas, áreas de serviços e banheiros.

Se este for o caso, mantenha sempre as portas destes cômodos fechadas. E, se for entrar com as aves – para tomar banho, por exemplo –, lembre-se de fechar as janelas.

Áreas de serviço, cozinhas e banheiros, de qualquer forma, já são lugares que devemos evitar com nossas aves, pois contém outros perigos.

Cozinha

A cozinha, como regra geral, deve ser evitada a todo custo, pois reúne uma infinidade de perigos para as aves, tenham as asas cortadas ou não. Apenas para citar alguns:

  • fogo;
  • água;
  • facas e outros objetos pontiagudos, que se tornam um perigo perto de mentes inquietas como as dos papagaios;
  • alimentos proibidos;
  • bebidas alcoólicas;
  • remédios;
  • panelas antiaderentes, que, quando aquecidas, podem exalar um gás extremante tóxico que mata as aves em poucos segundos.

Nunca cozinhe ou realize outras tarefas perigosas com sua ave solta, mesmo com as asas cortadas.

Banheiro

Assim como a cozinha, o banheiro também deve ser evitado, pois, além dos riscos de acidentes oferece risco de contaminação por bactérias que estão no ar. Há ainda o risco de banheiras e vasos sanitários abertos, que podem resultar em afogamento.

Eventualmente, levo o Giallo e a Lorenza apenas para tomar banho, mas, na maior parte do tempo, as portas todas ficam fechadas para evitar acidentes.

Tire todos os perigos do caminho

Se com as asas cortadas já é difícil controlar nossas aves, imagina com uma ave que voa e pode ir onde quiser… A melhor coisa a fazer para evitar que sua ave coma seus objetos preferidos é não deixá-la no caminho.

Remova objetos frágeis de valor que você não queira ver quebrados ou comidos. Faça o mesmo com tudo que puder causar acidentes, como objetos de vidro que possam quebrar e provocar cortes e objetos pesados que possam cair em cima da ave ou prender alguma parte do corpo.

Esconda e proteja fios elétricos aparentes. Eles são extremamente atrativos para as aves, que acabam descascando facilmente e podem tomar choques.

Tome muito cuidado com velas, incensos e aromatizadores. Certifique-se de que são produtos seguros para suas aves, que não causarão intoxicação se ingeridos ou inalados.

Cigarros e cinzeiros também são nocivos e não devem ficar ao alcance das aves. Melhor não fumar na presença das aves. Muito cuidado com bebidas alcoólicas.

Outro perigo que muitas vezes passa despercebido são ventiladores de teto. O cheque de uma ave em voo com um ventilador ligado pode resultar em sérias lesões e ser fatal. Dependendo da força, o ventilador pode inclusive sugar a ave em direção às pás.

O melhor a fazer – para não correr o risco de esquecer ligado – é não ter ou desabilitar a função ventilador para que não possa ser ligado por engano.

Supervisão constante

Nunca é demais dizer que psitacídeos nunca devem ficar soltos sem a devida supervisão, seja voando ou com as asas cortadas. Mesmo que você implemente todas as medidas de segurança acima, qualquer distração pode ser suficiente para que eles transformem os objetos mais inocentes em armas mortais. Por isto, é extremamente importante que, sempre que as aves estiverem soltas, tenha alguém por perto de olho neles.

Caso contrário, eles estarão mais seguros em seus viveiros, onde devem ter sempre brinquedos, alimentos, água e outras atividades disponíveis para ocupar-se.

Treinar as habilidades de voo aumenta a segurança da sua ave

Implementar as medidas de segurança discutidas até aqui é essencial para garantir a segurança da sua ave. Não importa o quanto a sua ave seja treinada, estas medidas de segurança devem ser sempre observadas.

Paralelamente a tudo isto, treinar as habilidades de voo da sua ave, assim como ensiná-la a voltar para você sob comando (flight recall) são medidas que aumentarão a segurança dela. Se, apesar de todas as barreiras físicas, a ave acabar saindo de casa, esta experiência certamente será muito útil para que ela consiga voltar.

Ainda voltaremos a este assunto amanhã e na sexta-feira.

Invista em uma relação de confiança e respeito.

Muitas vezes, quando as pessoas decidem deixar as penas de voo crescerem, elas tem a impressão de que o voo trouxe problemas de comportamento que não existiam antes. De repente, a ave não quer mais dar o pé, não quer mais voltar pra gaiola, não obedece mais.

Acontece que quando as aves têm as asas cortadas elas ficam extremamente dependentes de você para tudo. Na maioria das situações acabam ficando encurraladas: não tem opção a não ser fazer o que você impõe (ou bicar você).

O voo dá às aves a possibilidade de escolher. Se não querem fazer o que você quer, podem voar para outro canto.

As pessoas pensam que os problemas de comportamento são novos, mas a verdade é que ele apenas torna evidente problemas que já existiam antes e ficavam escondidos.

“Basta cortar as asas outra vez e tudo estará resolvido!”, alguém pode pensar. Acontece que uma relação com um papagaio baseada na força não se sustenta por muito tempo. Mesmo que ele ainda não tenha demonstrado nenhuma agressividade, mais cedo ou mais tarde ele vai acabar descobrindo que se ele te machucar, você deixa ele em paz. Uma vez que aprender isto, torna-se muito difícil reverter.

Muitas vezes, a gente acha que está sendo carinhoso, mas a ave não percebe desta forma. Não percebe o quanto opressores são nossos gestos e não vê a relação se deteriorando, até que seja tarde demais.

Com uma ave que voa, isto não acontece. Pois se ave não gosta do que estamos fazendo, ela voa pra longe. Você não consegue se impor pela força e isto é uma coisa boa, pois você há como estragar tudo sem perceber .

A boa notícia é que, se você tem que aceitar que a ave tem o direito de escolher fazer ou não o que você quer dela, com muito reforço positivo, não é difícil ela perceber que vale à pena se comportar como você deseja. E o bom comportamento tende a se perpetuar, pois você estará construindo uma relação fundada na confiança e no respeito.

Neste ponto, gostaria de propor uma reflexão, que, ao meu ver, é muito importante. As pessoas compram filhotes de papagaios, araras, calopsitas e outros psitacídeos esperando que eles já venham prontos, sabendo como se comportar perfeitamente. É claro que eles precisarão ser ensinados e isto exige paciência e dedicação, provavelmente por muitos anos. Cortar as asas acaba sendo uma tentativa de fugir destes problemas, mas, no fim, pode levar a problemas muito maiores.

Amanhã falaremos sobre como um psitacídeo aprende a voar e darei dicas essenciais para guiar sua ave no desenvolvimento das habilidades de voo, qualquer que seja o nível dela.

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  • Saky Jess Uzuchiha

    Gostei muito das dicas!!! Usarei muito com meu novo amiguinho e continuarei acompanhando seu blog está de parabéns!

Seu papagaio mais comportado e feliz! Inscreva-se!

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